Pesca da tainha
Acrílico sobre mdf · 15x15 · 2026
Trajetória e pesquisa artística
Irving Silva é artista visual e produtor cultural, natural de Londrina, Paraná, e atualmente vive no litoral de Santa Catarina.
Começou a pintar em 2017, durante a pandemia, a partir das atividades da creche realizadas online com seu filho. O que inicialmente surgiu como uma experiência compartilhada tornou-se uma prática artística própria, desenvolvida de maneira intuitiva, pela experimentação com cores, formas e pelo prazer de pintar.
Sua trajetória também é atravessada pelo skate, praticado desde 2005, pela produção cultural, música, vídeo e pela relação com espaços urbanos e cotidianos. Essas experiências contribuíram para a construção de um olhar atento ao ambiente, aos movimentos e às diferentes formas de ocupar um lugar.
A partir das viagens, dos desenhos e da observação da natureza, encontrou no Plein Air o principal campo de sua pesquisa. Em 2023, em Pirenópolis, realizou uma das primeiras experiências significativas de pintura ao ar livre, iniciando um processo que posteriormente se tornou central em sua produção.
Para Irving, Plein Air não é apenas pintar uma paisagem diante dos olhos. É estar diante de um lugar e perceber o que acontece nele e em si mesmo. Caminhar, observar, encontrar um ponto de permanência, perceber a luz, as formas, os movimentos e então pintar. A paisagem é o ponto de partida, mas a pintura nasce do encontro entre o que é visto e aquilo que é sentido.
Trabalhando principalmente com pequenas pinturas e acrílica, busca uma relação direta e concentrada com o momento. A rapidez da técnica e as mudanças da paisagem fazem parte do processo. Em vez de tentar controlar completamente o resultado, procura acompanhar o que acontece, mantendo espaço para a intuição e para o acaso.
Sua pesquisa se desenvolve especialmente a partir dos territórios que percorre, atualmente tendo o litoral de Santa Catarina como importante campo de observação. Praias, costões, dunas, lagoas, morros, restingas e estuários aparecem em sua produção como lugares vividos, e não apenas como cenários.
Ao lado do Plein Air, desenvolve pinturas espontâneas e imaginárias em ateliê. Essas duas práticas estabelecem um diálogo entre o mundo observado e o mundo interno: de um lado, a experiência direta com o território; de outro, memórias, sensações e imagens que surgem da própria imaginação.
Assim, sua pesquisa investiga a relação entre observação, presença, território e experiência interna. Pintar torna-se uma forma de desacelerar, permanecer diante das coisas e transformar uma experiência vivida em imagem.
O Plein Air, para Irving, é sobretudo uma maneira de estar no mundo: caminhar, observar, sentir e pintar.