O Artista

Irving Silva

Pintor · Plein Air · Acrílico · Aquarela · Madeira · Murais

Irving Silva

Irving Silva iniciou sua trajetória artística ainda na adolescência, através do skate e da forte influência visual, sonora, urbana e cultural presente nesse universo. O contato com músicas, vídeos, grafismos, ruas, movimento e liberdade despertou uma percepção sensível sobre imagem, ritmo e expressão. O skate também revelou ideias que mais tarde atravessaram sua criação artística: continuidade, persistência, liberdade e o prazer de evoluir através da prática. A experiência de insistir inúmeras vezes até alcançar uma manobra trouxe a compreensão do processo criativo como caminho vivo — onde presença, repetição, desafio e entrega fazem parte da construção.

Ao mesmo tempo, existia uma busca constante pela natureza — pelos silêncios, pelas paisagens e pela sensação de presença e prazer que o ambiente natural despertava em sua vida.
Anos depois, durante a pandemia, a pintura surgiu de forma espontânea enquanto realizava uma atividade artística em casa ao lado de seu filho. Nesse período, um amigo skatista e artista lhe presenteou com tintas para que pudessem experimentar a pintura juntos. Ao voltar a criar com as mãos, despertou uma lembrança antiga: desde a infância existia uma conexão profunda com o desenho, com a matéria e com a liberdade criativa, mas que havia permanecido adormecida durante muito tempo.
O reencontro com a pintura trouxe uma sensação de continuidade. Entre cores, texturas e gestos espontâneos, a arte passou a ocupar espaço central em sua vida, tornando-se não apenas prática criativa, mas caminho. Pintar se transformou em uma forma de permanecer próximo daquilo que move o coração — uma experiência de presença, silêncio e conexão com a própria vida. Durante esse processo, Irving também passou a explorar a ambidestria na pintura, criando com as duas mãos e percebendo novas possibilidades de desenvolvimento sensível, intuitivo e perceptivo dentro do próprio processo artístico.
A natureza se tornou parte essencial desse processo. Através da pintura plein air, Irving desenvolveu uma relação direta com paisagens, rios, mares, montanhas e lugares carregados de atmosfera e memória. Suas obras nascem do contato com a luz real, com o vento, com a maresia, com a terra e com a energia natural presente em cada ambiente. Mais do que representar cenários, suas pinturas buscam transmitir a sensação de estar dentro deles.
Sua produção transita livremente entre tinta acrílica, aquarela, terra, carvão e diferentes materiais incorporados ao processo criativo. Pinturas circulares, papéis, telas, murais, esculturas e composições orgânicas surgem como extensões de uma mesma pesquisa visual. Em algumas obras, conchas, fragmentos naturais e entalhes manuais aproximam pintura e matéria viva, criando superfícies marcadas pelo tempo, pela textura e pela experiência.
O círculo aparece em parte de seu trabalho como símbolo de continuidade, fluxo e ciclos da natureza. Sua criação nasce do encontro entre corpo, paisagem e matéria — transformando experiências reais em pinturas que carregam presença, energia e memória. Cada obra surge como um fragmento vivo da relação entre ser humano e natureza.